Relógios inspirados na arte

Qualquer pessoa interessada numa viagem cultural à volta do mundo deveria visitar as Colecções de Arte Estatal de Dresden, que a manufactura A. Lange & Söhne tem apoiado enquanto parceira oficial desde 2006. Os seus 15 museus albergam importantes artefactos que representam o artesanato de todos os continentes.

Modelos A. Lange & Söhne do catálogo actual entraram em diálogo com históricas obras- primas oriundas de Itália, Rússia, China, Japão e Brasil. Por mais diferentes que as origens desses tesouros possam ser, o que cada um deles partilha é uma incrível narrativa relacionada com as suas origens.

No enquadramento político da cortesia e do reconhecimento internacionais, as generosas ofertas sempre representaram um instrumento diplomático tão significativo quanto eficaz. Numerosos tesouros incluídos no portfólio das chamadas Colecções de Arte Estatal ainda refletem muito bem a refinada arte da oferenda real. E existe uma história especial que está ligada à safira.

Em 1698, durante uma viagem através da Europa que durou vários anos, o czar russo Pedro, o Grande encontrou Augusto, o Forte na Polónia e solicitou a sua ajuda para começar a dominar a região do Mar Báltico. Como presente de cortesia, ofereceu ao seu amigo, que era na altura o Eleitor da Saxónia, uma pedra preciosa de 548 quilates com o tamanho de uma mão. Augusto devolveu a cortesia com a oferta de uma bengala de diamantes. Um ano mais tarde, Augusto juntou-se à aliança contra a Suécia. A importância da contribuição de tão preciosa oferenda para o sucesso político da missão não é conhecida. Hoje em dia, essa pedra gemológica de fascinante cor está em exibição no museu Nova Abóbada Verde.

O LANGE 1 MOON PHASE em ouro branco com mostrador preto foi lançado em janeiro de 2017. Combina uma indicação de fases da lua de precisão programada para 122,6 anos com a indicação do dia e da noite. Por trás da lua dourada, o disco celestial, que está associado à roda da hora, perfaz uma revolução completa a cada 24 horas. No disco, as diferentes alturas do dia estão representadas por tons azuis variáveis consoante a

interferência de luz. Durante o dia, mostra um céu brilhante sem estrelas, enquanto à noite revela a abóboda celeste mais escura em contraste com estrelas recortadas mediante raio laser. Desse modo, a lua orbita sempre tendo por cenário de fundo um céu realista que também funciona como indicador dia/noite quando o relógio é ajustado.

O seu irmão mais pequeno também revela a aura misteriosa da lua. Dotado de um novo movimento mecânico, o elegante LITTLE LANGE 1 MOON PHASE apresenta um mostrador de tom prateado e decorado em guilloché que está bem instalado numa caixa em ouro rosa com 36,8 milímetros de diâmetro.

O relógio surge emparelhado com um diadema de penas elaborado pelos Baniwa, uma tribo indígena que vive na parte alta do Rio Negro na região entre o Brasil, a Colômbia e a Venezuela. O magnífico diadema, item adicionado ao acervo do Museu da Etnologia de Dresden em 1966, foi provavelmente utilizado em rituais de dança xamãs.

O musicólogo indiano Raja Sourindro Mohun Tagore tem uma relação muito especial com Dresden. Em 1877, enviou como presente três instrumentos musicais indianos para a corte saxónica e foi recompensado com a Ordem de Alberto.

Seguiu-se uma segunda doação de 450 artefactos representativos da cultura indiana em 1882, incluindo uma travessa de padrão axadrezado conseguido através de pedras semipreciosas embutidas. A corte da Saxónia sempre teve o artesanato indiano em alta estima. A generosa oferenda de Tagore foi acompanhada do requisito para que os objetos artisticamente manufaturados pudessem ser exibidos em público. O rei Alberto imediatamente transferiu a coleção para o mesmo museu etnográfico da cidade que tinha sido inaugurado alguns anos antes; foi aí que o acervo formou o núcleo da ala dedicada ao Sul da Ásia.

A esplêndida vasilha, densamente composta por pastilhas de madrepérola, e uma jarra a condizer fizeram o seu trajeto desde a Índia até à Saxónia através de rotas clandestinas. Diz-se que foram mercadores portugueses a trazê-los desde Gujarat, no noroeste indiano, até ao sul da Alemanha. Aí, provavelmente por volta de 1540, em Nuremberga, os dois recipientes foram dotados de rodapés condizentes de modo a torná-los mais atraentes para os gostos da nobreza alemã do tempo do Renascimento.

Mas como é que este exemplo precoce de projeto de arte intercultural tomou o caminho da Saxónia é altamente especulativo, tal como o é o seu alegado uso como pia batismal usada pela Casa de Wettin. O que é certo é que o precioso conjunto foi transferido para a Nova Abóboda Verde quando a “câmara de arte” de Dresden foi dissolvida em 1832.

O nome do SAXONIA MOON PHASE estreado em 2016 remete para a Saxónia, a região dominada por Augusto, o Forte na condição de Eleitor, desde 1694 até 1733. Destaca-se pelo seu design lúcido e pela interessante combinação de duas populares complicações: uma disposição das fases da lua muito precisa e a emblemática data sobredimensionada da Lange. Esses dois elementos dominam o rosto de um relógio assente na tecnologia optimizada e na perfeição estética.

Durante 125 anos, o Museu de Artes Decorativas de Dresden (Kunstgewerbemuseum) preservou um acervo único de artesanato japonês nas suas instalações no Castelo de Pillnitz. É lá que mais de 15.000 exemplares de estampagem tradicional Katagami em têxtil estão preservados em 92 cassetes. Por isso, Dresden guarda o maior inventório mundial de padrões Katagami que foram originalmente utilizados para tecidos de quimono.

Para além dos ornamentos geométricos, também inclui motivos abstratos e inspirados na natureza. Quando as primeiras estampagens Katagami chegaram à Europa no século 19, a sofisticadamente desenvolvida arte decorativa japonesa exerceu uma forte influência nas tendências que então se verificaram na arte, artesanato e design ocidentais. Hoje em dia, a técnica da estampagem tem um papel significativo no movimento graffiti. Celebridades da arte de rua revitalizaram a impressão com matrizes.