Arte no Palácio da Ajuda

Na passada sexta-feira, inaugurou uma exposição que nos permitirá fruir de dois “objectos” de arte ao mesmo tempo, o local onde está a exposição e a própria intervenção. Da artista boliviana Sonia Falcone (n.1965) nos salões do histórico Palácio Nacional da Ajuda alarga o horizonte e a visão dos visitantes.

A exposição Campos de vida sugere uma combinação entre a história de Portugal e a arte contemporânea latino- americana. Sugere igualmente uma combinação entre a arquitectura e os objetos exibidos no Palácio e a última década de criação desta artista contemporânea, que representou o seu país em duas edições da Bienal de Veneza e que levou a sua obra-prima, Color Fields, a três continentes.

De uma forma que vai para além do alcance desta obra, que utiliza as cores e os aromas das especiarias das cozinhas do mundo, o seu projeto de intervenção no Palácio, Campos de vida, constitui um diálogo mediado pela arte entre as paisagens de Lisboa que rodeiam o Palácio e o esplendor da natureza da América do Sul. Integra igualmente a narrativa história dos objetos do palácio, a presença das peças de arte que, por seu lado, evocam várias vezes este continente.

A visita organizada pela artista representa um movimento de encontro de cores entre várias épocas e espaços. Não só se reúnem os objetos dos séculos XVIII e XIX do Palácio com as peças de arte contemporâneas, como também são trazidos elementos da natureza e da cultura latino-americanas à Península Ibérica, usando um conceito de intervenção na paisagem.

Toda a obra de Falcone acaba por introduzir os céus, as águas, plantas, objetos e a mesma memória e cultura boliviana e latino-americana nos vitrais dos salões do Palácio Nacional da Ajuda, sendo estes elementos em vários materiais. São obras construídas com elementos da natureza como plantas naturais ou flores secas trabalhadas, fotografias de paisagens difundidas em caixas de luz ou impressas em chapas de metal, assim como pinturas e tapeçaria, entre outras.

Toda a sua intervenção define os elementos de um diálogo em construção que, por um lado, é um chamamento à aproximação cultural e, por outro lado, à reaproximação com o mundo natural. A sua linguagem, desenvolvida durante pouco mais de uma década de trabalho, utiliza a cor como matéria principal, sendo inseparável de uma ligação aos elementos da natureza e das apropriações objetivas da cultura popular, principalmente da latino- americana, mas incorporando igualmente as tradições dos vários lugares onde viveu e expôs.

A exposição decorrerá no palácio, quase como uma prática que inverte as deslocações e as apropriações da conquista, a presença cultural e geográfica da América do Sul. A arte contemporânea de Sonia Falcone inclui citações para momentos da mesma pré-história ou da colónia, mas também faz alusão à experiência da sua própria época, fundindo o presente e o histórico do que é local e do global.

Horários: Das 10h00 às 18h00 (última entrada às 17h30) / Encerra à Quarta-feira