Darko feat Mafalda Arnauth – Pó

Mafalda Arnauth juntou-se a Darko num dueto intenso que reflecte o desalento de uma perda. Tendo como metáfora o amor, “Pó” reflecte a tristeza no olhar de uma nação que vê transfiguradas as suas expectativas e os seus sonhos.

Realizado por Fernando Tavares na cidade de Viseu, Pó é um dueto intenso sobre perda e desencanto.

Despertados pela curiosidade neste dueto, decidimos conversar com Darko, Zé Manel, sobre “Pó” e a experiência de cantar com uma grande voz do fado em Portugal.

Impõe-se como primeira pergunta, como e onde nasceu esta parceria?

Para mim a arte tem que ser vista como um veículo de partilha e realização pessoal, portanto, quando início a gravação de uma nova obra começo logo a congeminar sobre quem poderá engrandecer as mensagens que quero veicular ao público, independentemente de estágios de carreira ou graus de reconhecimento. Neste Overexpression, lançado em Junho, tive a oportunidade de trabalhar com talentos emergentes como a Iolanda Costa ou a Filipa Azevedo e veteranas como a cantora norte americana Leah Andreone ou a nossa Mafalda Arnauth. Este tema em particular tem uma carga emocional forte que só uma voz com a vida da Mafalda poderia encorpar. Estou muito grato e feliz.

Mesmo no mundo da música, as parcerias são o futuro?

Na música, na arte e na humanidade, a parceria é uma oportunidade de crescimento e aprendizagem. O futuro é a união, a tolerância e o respeito. É uma guerra constante e também um desafio em termos de disponibilidade emocional, mas para mim fará sempre sentido. A arte exige amor e o amor exige essa capacidade de cedência e partilha.

Como foi trabalhar com a Mafalda?

Foi e é um charme. O privilégio e a riqueza de descobrirmos o ser humano por detrás da obra que previamente nos cativou pode ser um desastre ou um tesouro. Neste caso, guardo uma amiga, uma alma profundamente gentil e carinhosa e sinto que o retorno vai muito além da música que partilhamos. Todos os outros momentos atestam a certeza de que foi uma escolha e uma ventura muito felizes.

De um modo geral, como vês o desenvolvimento da música em Portugal?

A música não se distingue nem está imune a todas as maleitas que tantas vezes condicionam o nosso funcionamento laboral e social. Estamos numa geração de uma futilidade desconcertante. Há muito analfabetismo emocional, muita promiscuidade social e um grande vazio cultural. Os que esperam mais das pessoas e do sistema vivem em constante dúvida e adaptação. O desenvolvimento é o reflexo de todos esses paradigmas. Só sei o que posso esperar da minha obra e da minha capacidade de trabalho. Felizmente mantenho a minha fé nos meus objectivos intacta. Às vezes há frustração e há diversas questões que o meu cognitivo levanta, mas tento viver em paz com as circunstâncias e contorná-las com as ferramentas que vou tendo à disposição.

Photos by Fernando Tavares