TAP Portugal no MUDE

Numa altura em que os Transportes Aéreos Portugueses celebram o seu aniversário e andam na boca do mundo por muitos e variados motivos, a ideia de mostrar ao público o seu caminhar de um ponto de vista de design e moda parece algo bastante positivo.

Recordar uma história que mistura-se com a própria história de uma nação é um dos motivos desta exposição TAP PORTUGAL: IMAGEM DE UM POVO, no Museu da moda e do design (MUDE).

De facto, ela debruça-se sobre o design da companhia aérea nacional, de 1945 aos nossos dias. Dá a conhecer o vasto trabalho criativo realizado ao nível da comunicação visual, indumentária, design de interiores e produto, evidenciando o seu contributo para a identidade corporativa da TAP e para a consolidação da imagem de uma companhia de aviação moderna, segura e competitiva.

Passando em revista os 70 anos da história da companhia, revela-se ainda o contributo do design para a consciência colectiva da TAP como símbolo nacional e para a consequente identificação entre os portugueses e a (sua) companhia de bandeira, mas também o modo como concorreu para a construção e disseminação da imagem de um povo e do seu país além-fronteiras.

Os diferentes momentos por que passaram a imagem corporativa e a mensagem da TAP são apresentados em cinco grandes núcleos cronológicos, correspondendo aos cinco logótipos que a companhia teve ao longo da sua história, colocando também em evidência a estreita relação da TAP com os diferentes contextos ideológicos e político-económicos de Portugal.

Em cada núcleo cronológico, apresentam-se os mais diversos suportes de comunicação, a par com os uniformes, as campanhas publicitárias, as loiças e a cutelaria de bordo, entre outros, ou os interiores de delegações, lojas e aviões. De modo a compreender o desenvolvimento de cada proposta, é dado particular destaque aos esboços, maquetas e artes finais, colocados lado a lado com os materiais impressos ou os produtos finais. Integram-se também propostas não concretizadas, mas que fazem parte de uma história para a qual muito contribuíram importantes designers e artistas plásticos nacionais.

A informação recolhida permite constituir alguns núcleos autorais, como por exemplo, Gonçalo Pais de Freitas, Gustavo Fontoura, Augusto Cid, Daciano da Costa, Carlos Rocha, Manuel Alves e José Manuel Gonçalves, inserindo-os na época em que a sua ação foi mais relevante. Para além destes, entre os designers e artistas representados que muito concorreram para uma imagem moderna do país e da TAP, incluem-se ainda Sebastião Ro- drigues, Keil do Amaral, Eduardo Anahory, Louis Féraud, Ana Maravilhas, Sérgio Sampaio, Óskar Pinto Lobo, Leonildo Dias, João Velez, Carlos Rafael, Manuel Rodrigues e José Soares.

Referências ainda a ateliers e agências, como Ciesa, Forma, Estúdio MR, Marca, Impar, Cinevoz, Espiral, Risco, Mcann e Brandia, para além das internacionais AC&R e DK&G. A exposição convoca ainda outras marcas portuguesas de referência, como a Vista Alegre, a Secla, as Loiças de Sacavém, a SPAL ou a Manufactura de Tapeçarias de Portalegre, que produziram para a TAP loiças de bordo e tapeçarias.

Em paralelo, alguns núcleos temáticos demonstram como tem vindo a ser trabalhada a memória coletiva e os traços considerados distintivos da imagem e identidade do “ser português”. Falamos, por exemplo, de um discurso histórico que revisita sobretudo os Descobrimentos e a Diáspora Portuguesa, exaltando um povo navegante; de uma iconografia que trabalha as tradições populares e os costumes, os motivos naturalistas e o pitoresco; ou de um ideário de um país soalheiro de gentes simples e hospitaleiras que sabem receber bem.

A exposição parte da tese de doutoramento “Sobre as Nuvens: Design para a Companhia Aérea de Portugal (1945-1979)” de Pedro Gentil-Homem e integra material documental e audiovisual para a necessária contextualização, bem como peças cedidas por particulares, colecionadores e antigos funcionários da TAP. A reconstituição parcial do mural de azulejo da autoria de Querubim Lapa, existente na antiga loja da TAP no Marquês de Pombal, ocupa um lugar de destaque, juntamente com as peças de Maria Keil, Fernando Lemos e Figueiredo Sobral que pontuam o discurso expositivo.

Os objectos em exposição pertencem na sua grande maioria ao acervo do Museu da TAP. Contamos ainda com a importante colaboração do Arquivo Municipal de Lisboa, da Hemeroteca Municipal de Lisboa, da RTP – Rádio Televisão de Portugal e da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian, do IHRU – SIPA, da ANA Aeroportos de Portugal, para além de vários designers e particulares.

RUA AUGUSTA Nº24 – 1100-053 LISBOA
218 886 117 / 218 171 892

TERÇA A DOMINGO / 10H-18H
ENCERRA 2ª FEIRA
ENTRADA LIVRE