Porfírio Pardal Monteiro – Arquitecto de Lisboa

pardalmonteiro - Senhora de FátimaNo contexto da iniciativa Lisbonweek 2015 está patente na Biblioteca Nacional, a exposição sobre a obra do grande arquitecto Porfírio Pardal Monteiro.

O movimento modernista desenvolve-se na primeira metade do século XX, baseando-se na ideia de que as formas “tradicionais” tinham-se tornado ultrapassadas. Um dos princípios básicos do modernismo foi o de renovar a arquitectura e rejeitar toda a arquitectura anterior ao movimento.

O marco inicial do Modernismo em Portugal foi a publicação da revista Orpheu, em 1915, influenciada pelas grandes correntes estéticas europeias, reunindo Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro e Almada Negreiros, entre outros.

Porfírio Pardal Monteiro é, sem dúvida, um dos mais importantes arquitectos da primeira metade do Século XX em Portugal. A sua obra possui características muitos especificas, dependendo do tipo de edifícios, onde a cronologia liga o seu percurso, com diversos marcos durante a vida.

Frequenta a ESBAL(1914-1919), onde é aluno de José Luís Monteiro e aprende arquitectura dentro dos padrões do “espírito clássico”. Durante o percurso académico trabalha no atelier de Miguel Ventura Terra, transmitindo-lhe um modo mais actualizado de pensar a arquitectura e influenciando as suas convicções republicanas, tornando um dos primeiros marcos para Porfírio Pardal Monteiro.

Verifica-se na nova cidade (avenidas novas) uma grande concentração de obras, uma zona muito central que vai receber obras do arquitecto. Em 1927 inicia o projeto das novas instalações no Instituto Superior Técnico, uma obra que tornar-se-á a oportunidade de assumir o movimento moderno em Portugal. Um projecto de grande escala onde está sempre presente o eixo vitruviano que marca uma referência aos clássicos mas com pavilhões modernos e funcionais com uma hierarquia nos edifícios. Duarte Pacheco exerceu o cargo de director do IST tendo ficado fascinado com a estação do Cais do Sodré dando lhe portas abertas a ficar com a obra do IST.

Durante a sua vida faz diversas viagens pela Europa para ver exposições e referências arquitectónicas que lhe dão grande consciência do movimento moderno. Em 1925 vai a uma exposição de Arte Deco que o influência pondo em pratica na estação do Cais do Sodré

A arquitectura moderna surge então em função do programa, do orçamento, da resposta a realidades muito concretas, defendendo-se de ele próprio, apostando na modernização

A abordagem da arquitectura junto com a arte vai crescer com o Pardal Monteiro e tem o auge na igreja de Nossa Senhora de Fátima, compondo o segundo núcleo das grandes obras publicas desta exposição. A Igreja de Nossa senhora de Fátima é uma das obras chaves, contestada por “o moderno chegou à igreja”, sendo um edifício assimétrico, algo diferente em Pardal Monteiro, apenas uma torre embora com uma entrada muito assumida forte e expressiva. Um baptistério completamente autónomo, com vitrais do seu cúmplice Almada Negreiros, estando este envolvido desde do inicio no projecto. O próprio Cardeal-Patriarca vai fazer a defesa do arquitecto, apoiado ainda assim por artistas nacionais e internacionais.

Foi um arquitecto com uma grande formação técnica que vinha das suas viagens fascinado pelo betão, a grande invenção do moderno.

Utiliza uma estrutura total em betão armado no Diário de Noticias, uma obra em que vai utilizar todas as técnicas inovadoras da Europa. Vai buscar novamente os artistas, mas sobretudo vai fazer uma equipa muito extensa com especialistas de diferentes áreas.

Até 1938 faz muitas obras e depois estagna devido a sua atitude perante a arquitectura e perante não ceder a uma arquitectura imposta.

A partir do final da década de 1940 Pardal Monteiro recebe novas encomendas públicas e privadas, projectando o Laboratório Nacional de Engenharia Civil e os hotéis Mundial, Tivoli e Ritz. O Ritz é o Grande Hotel que nos finais dos anos 40 representa uma afirmação do país. Salazar no pós-guerra manda fazer um hotel “Holiday In “ sendo esta obra outra acrópole, dando quase um ensinamento de como fazer hotéis, mostrando-se um arquitecto totalmente visionário.

Teve um papel muito importante na classe dos arquitectos pela defesa da arquitectura como arquitectura, impondo o arquitecto como uma personalidade, mas mostra ainda um papel muito importante na ideia que a grande obra de arquitectura é feita por uma equipa onde não só o arquitecto deve obter o reconhecimento mas todos os membros da equipa.

Assim, vejo o núcleo desta exposição (BNP) como uma caminho que visa de certo modo mostrar como Pardal Monteiro encara a forma da arquitectura como um programa, projectar diferentes obras na mesma época podem ter uma abordagem completamente diferente, e onde a arte e arquitectura se assumem como obra total.

Texto por João Jorge, Estudante de Arquitectura

Lisbonweek 2015

Biblioteca Nacional de Portugal, Campo Grande 83

De 10 Abril a 09 Junho de 2.ª a 6.ª Feira das 09h30 às 19h30, Sábados das 09h30 às 17h30