“A Exaltação da Sombra” – Galeria São Roque Too

Pochete des Ombres

Devido ao grande sucesso da exposição de Lourdes de Castro, patente na Galeria de arte e Antiguidades, São Roque Too, a mesma foi prolongada até 31 de Janeiro de 2014.

Figura incontornável da arte portuguesa  do séc. XX, nasceu no Funchal (1930) terminando os seus estudos nas Belas Artes  em 1956. Em 1958 instala-se em Paris e publica com René Bertholo, Escada, João Vieira, Costa Pinheiro, Christo e Jan Voss a Revista “KWY: Da abstracção lírica à nova figuração” – as três letras que não existem no alfabeto português. Mais do que uma revista trata-se de um objecto artístico, impresso à mão, onde se misturam serigrafias originais com fragmentos de objectos, fotografias, imagens, ao mesmo tempo que se promovem exposições. Em 1962 inicia o seu trabalho com sombras, primeiro impressas em serigrafia, posteriormente pintadas em tela, recortadas em plexiglas e bordadas em lençóis. A partir de 1973 projecta-as num ecrã – um teatro de sombras em movimento, em que o seu próprio corpo intervém e onde o discurso são as imagens de um quotidiano familiar.

Lourdes Castro retira-se de uma vida artística intensa, regressando à Madeira em 1983, depois de 25 anos em Paris.A silhueta e a representação da sombra são o tema central na obra da artista, que implicitamente, e não por acaso, tem relação com o vazio do Zen budismo tão exaltado em Paris nos anos sessenta. Através do desenho de perfis de figuras humanas, plantas e objectos, a artista leva o espectador à situação de invocação perante as imagens. Em simultâneo fixa o rastro, a ausência, mas também a presença

e a imaterialidade da sombra, o que em si mesmo constitui um caminho poético de grande originalidade. Lourdes Castro cedo lançou os dados para um jogo que ao longo da sua extensa carreira tem vindo a explorar. E esse jogo é de fascínio e de profunda reflexão sobre a imagem. A artista faz parte de uma geração privilegiada, que de algum modo se libertou da rigidez ideológica dos programas vanguardistas para poder livremente explorar as potencialidades das linguagens plásticas, inovando através dos materiais. E saindo sem dramatismo das regras da academia, abrindo caminho para a participação do espectador.

A sua vasta obra, de profunda inovação e coerência merece maior destaque no panorama da arte portuguesa actual. Das exposições individuais destacamos, nos anos 60: nas Galerias Buchholz em Munique, Reckermann em Colónia e Ernst em Hannover; nos anos 70: Gallery 20 em Amesterdão, National em Praga e Jean Briance em Paris; nos anos 90: o Salon de Montrouge em Paris, a Bienal de S.Paulo de 1998, a F. Serralves no Porto, a Arco em Madrid e a F. Cupertino de Miranda em Famalicão; em 2000: O Grande Herbário de Sombras, FCG, Lisboa; em 2003: “Sombras à volta de um Centro”, F. Serralves, Porto; em 2010: “À Luz da Sombra”, Lourdes Castro e Manuel Zimbro, F. Serralves, no Porto; em 2013: “À Distância Linha de Horizonte”, no Chiado 8 Arte Contemporânea, em Lisboa.

Entre várias distinções salientam-se Medalha do Salon de Montrouge, o prémio EDP em 2000 e o prémio ELPA/Vieira da Silva em 2004. A sua obra encontra-se em diversas coleções públicas e privadas, tais como: Victoria e Albert Museum, Londres; Museu de Arte Moderna, Havana; Museu de Arte Moderna, Belgrado; Museus Nacionais de Varsóvia, Vroclaw e Lódz; Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; Fundação de Serralves, Porto.

R. de São Bento 269 – 1250-219 Lisboa