“Paysage – Scénique” – Brasserie Flo do Tivoli Lisboa

Paysage - Scénique

No seguimento de outras boas iniciativas culturais no Hotel Tivoli, podemos apreciar uma nova intervenção: “Paysage – Scénique”, exposição do artista plástico português Jorge Santos, que inaugurou no passado dia 14 de Novembro na Brasserie Flo do Hotel Tivoli Lisboa e estará patente até dia 2 de Janeiro de 2014.

Após uma visita ao Tivoli Lisboa, Jorge Santos deparou-se  com a existência de uma sala chamada Sintra composta  por muros pintados ao modo trompe l’oeil e remetendo  para as salas cobertas de um género de papel de parede  cénico surgido em França no século XIX conhecido como  “papier peint panoramique”. A imagem que decora esta  sala retrata a paisagem de um jardim em panorama,  ladeado por colunas, terminado por uma fonte na parede,  frente a uma janela.  Esta prática, tão enraizada no seio das Artes Decorativas  e que trata, escrevendo de forma muito simples, de “trazer o que está por fora, para dentro”, faz parte de uma  investigação contínua levada a cabo por Jorge Santos  junto da sua obra plástica. Existe uma exploração, que se destaca ao longo da sua  carreira, de deslocamento de elementos de um contexto a outro, num estudo que frequentemente leva a noções  de interioridade e de exterioridade, de particular e de público, de fronteira e de limiaridade.

Partindo da referência que se estabeleceu com o encontro da sala Sintra, e também com o local em si de exposição — um hotel de cinco estrelas construído em 1928 e composto por vários géneros decorativos, que fundem o Romantismo com o Art Déco —, Jorge Santos serve-se desses pontos para a criação de uma série de desenhos que trabalham a representação de elementos cénicos — pois os objectos de decoração têm como seu  fim a criação de um ambiente, através de um “cenário” —, utilizados na recriação de paisagens exteriores no espaço íntimo, privado, construído. Poder-se-á falar, in- clusive, que esta preocupação em “trazer o que está por fora, para dentro” trata-se, antes, de uma interiorização do exterior ou de um método para tal processo. Contudo, os elementos escolhidos pelo artista, bouquets de flores e jarras, revelam-se de forma aparente, “à superfície”. A forma emerge do apagar do pormenor. Todo o detalhe das imagens apropriadas (representações encontradas ao longo da sua investigação sobre Artes Decorativas) desaparece, excepto o do contorno dos elementos representados. Excepto aquilo que faz a barreira entre o próprio e o outro, o exterior e o interior. A linha que delimita o “território”. Este acto de exaltação da forma é sublinhado ainda pelo recurso a uma pintura monocromática a dourado, pre- enchendo toda a superfície do desenho — e conferindo uma aparência de chapa metálica, de impressão, que só  se torna realmente visível aquando de uma aproximação física à peça, ultrapassando a aparência da obra para chegar ao seu âmago.

Paysage Scénique propõe, assim, uma série de naturezas-mortas que estendem a vida exterior para o interior, expandida a uma abstracção que nos leva a lugares que são simultaneamente irreconhecíveis e reconhecíveis. Estranhos e familiares. Vagos e intrínsecos.

Para mais informação sobre a obra do artista visitar o site http://www.jorgesantos.net/